Humor |
Levando a vida com Humor Como o meu pai estava com o documento de habilitação suspenso, marquei às 9 horas de levá-lo a concessionária de energia elétrica com o meu carro. Às 9 em ponto lá estava ele me esperando, sorrindo e contando história que ele passou na infância, momento que passou fome após a segunda guerra mundial. Com bom humor contou que como não tinha comida por ser órfão, ia a praia pegar algas marinhas e a noite roubava batata em uma pequena plantação próxima da casa. Quando apareciam os soldados americanos, corria na direção deles e ganhava bolachas, que às vezes eram a única alimentação depois de 2 dias sem comer. Muitas crianças morreram nesta época de fome. Contou sorrindo e todo feliz. Não entendia qual era o motivo. Tive muitas diferenças com o meu pai na adolescência, hoje ele se tornou um grande amigo que me visita 10 vezes por dia. Depois de um momento descobri que ele estava feliz por que ia sair comigo! Neste momento pensei como a felicidade é muito barata e cara. Não custa nada financeiramente, mas é muito cara no sentido de ter grande valor. Humor é um remédio que pode ser ministrado em grande dose ou pouca dose. Humor saudável sempre é bem-vindo.
ESBD é uma pessoa, Eduardo Seiti, que tem vários parceiros que trabalham em conjunto. Trabalhamos com muito humor, levando sempre o trabalho a sério. Sempre que posso transformo o que faço em prazer. Lavar roupa é um prazer, vou a uma lavanderia onde conheço todos, e passo momentos agradáveis lavando, dobrando cuecas e meias e falando sobre a vida com as funcionárias. Cozinhar é um dos meus maiores prazeres. Tenho grande prazer em cozinhar para as pessoas que amo. ESBD, projetos, EaSY System, Arco Ceará, Mandala Nadja Cavalheiro, Domo Bahia, são coisas que não existiam. Antigamente eu criava por raiva, transformando a raiva em uma energia para vencer..... Hoje eu construo por mim, construo por amor. O que se constrói com raiva perde seu valor ao ser conquistado, no final perdem-se tudo. O que se constrói com amor fica para sempre, e deixa um sentimento muito bom no final do processo. Freqüentemente vejo no mercado de balões muitas coisas feitas por raiva, por vingança, por ego, pelo orgulho (é tudo a mesma porcaria). Penso que o mundo seria melhor se as coisas fossem construídas por um motivo mais nobre. Ao invés de se espelhar no personagem do filme "Coração Valente" onde o furioso personagem grita com raiva "Freedom", preferia ser o personagem do "Um lugar chamado Notting Hill", que construiu um amor por uma mulher. Viver a vida é muito difícil quando só se pensa em construir com amor, imagino como seria levando a vida com raiva. O maravilhoso povo brasileiro tem um modo de viver único no mundo. Os europeus se encantam com a nossa alegria. Também temos problemas que afetam o nosso dia a dia. O mundo não consegue confiar em um brasileiro, sempre ficam com um pé atrás. A história nos condena. Em certo momento, um homem pertencente a uma tribo na África vivia feliz com a sua esposa e os seus filhos. Tribos inimigas capturaram este homem junto com a esposa, mataram os seus filhos por puro prazer. Acorrentaram e venderam a um comerciante de escravo, humilhado foi tratado como animal viu a esposa ser jogada ao mar viva por não ter comida suficiente para todos só por causa de um erro de cálculo do mestre da Nau. Ao chegar ao Brasil, foi vendido a um senhor de engenho. Foi trabalhar como escravo debaixo de chicote, vivendo em porões escuros da senzala. Quando a casa grande pegava fogo, os escravos ficavam alegres. Por pura raiva (e com muita razão) adquiriu ódio ao senhor de engenho e do feitor. Para isso palavras em quimbundo que não existiam no português foram introduzidas na nossa cultura. Palavras como macumba, catiça, urucubaca e mandinga passaram a pertencer no nosso português por uso coloquial, todas estas palavras são para desejam mal a alguém. Mesmo com o fim da escravidão, este sentimento ficou enraizado na cultura brasileira. Falar mal de alguém é um esporte nacional mais falada que futebol, mais comentada que novela. Quando alguém se dá mal é nítida a cara de felicidade de alguns. Quando há um break-out, os funcionários ao invés de ficar triste com a parada de produção da empresa, freqüentemente gritam de felicidade, lembrando os escravos quando a casa grande pegava fogo. Não existe lugar mais comum destas cenas do que nos bastidores dos eventos com balões. Como sempre participei dos grandes eventos, vi claramente a sinceridade da velha escola do começo dos tempos se transformar na nova escola com um festival de catiça, mandinga e urucubaca. Que saudade da velha escola....... Fiquei sem saber se vale a pena consertar ou começar de novo. Neste momento escolho a segunda opção. Estou começando de novo. Quem quiser contribuir na construção do mercado de balões mais saudável me dê a mão. Gastando energia para construir e não para destruir. Somos mais de 150.000 que trabalham na velha escola que constrói, muito mais que os 1.500 da nova escola. Um desafio e tanto, não acham? Eduardo Seiti
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